quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A verdadeira perda



Eu só queria que dessa vez o meu coração não saísse pela metade. Pode não sair saltitante e alegre porque todo fim de ciclo é triste, mas que ele termine em condições de continuar batendo.
Todo começo é revitalizante. Parece que a vida ganhou sentido de verdade e muito tempo ao lado de quem se ama não parece um segundo sequer. Parece início de escola... O caderno bem cuidado e amado, mas que nem nos demos a chance de usar todas as folhas para trocá-lo. Fizemos um rascunho qualquer no final com algumas contas e bilhetes de colegas apenas para recordação.
Pare para pensar, você namorou tanto aquele caderno. Quando foi compra-lo pagou o dinheiro que você não tinha. E hoje, que tem oportunidade de ter outro em mãos não pensa duas vezes antes de esquece-lo na gaveta, ou até mesmo joga-lo no lixo.
Infelizmente hoje as pessoas também são “cadernos”. Lutam tanto, conquistam, cuidam e de um dia para outro simplesmente são esquecidas ou esquecem, e o discurso de que isso é natural não me convence mais.
Pessoas amam, pessoas sentem saudades, pessoas se importam. Enxergue quem está ao seu lado. Seja um amigo melhor, irmão melhor, namorado, filha, pai melhores.
Perdemos o tempo de ser tudo o que sonhávamos com anseios passageiros.
Isso não quer dizer que não existam pessoas de estações. Essas pessoas sim, passam pelas nossas vidas, acrescentam enquanto podem, mas uma hora ou outra partem deixando nosso coração triste, porém enriquecido de experiências que mais tarde nos ajudarão. Isso sim é natural.
O que não soa natural é perder quem está do seu lado, te esperando cheios de anseios e possibilidades. Eu não permito perder, Eu suo a camisa. Eu luto e descubro uma guerreira em mim. Mas é um desafio individual. Eu posso lutar pra não te perder, mas nada posso fazer se você já me perdeu.

domingo, 12 de setembro de 2010

Amor "vóterno"


Hoje meu texto tem destinatário, que mesmo não estando aqui me motiva a deixar esse pequeno gesto de saudades.
Ontem uma pessoa muito especial foi para junto do Pai, e isso me entristece muito, pela distância, pelas vezes que poderia ter ido ao encontro dela e não fui, e também porque já não posso abraça-la.
Ontem a mesma mulher que eu chamava de vó, que comprava os cartões que eu fazia com qualquer folha que eu achava quando era pequena, a mulher que sempre amou seus filhos incondicionalmente e independente de como eles se comportassem e que sempre estava ali por eles, já não está mais entre nós.
É o ciclo natural da vida, isso eu sei. Que Deus vai confortar todos nós nessa perda eu também já sei. Mas a questão é que hoje eu não posso falar isso tudo para ela. Não posso acariciar o seu cabelo e dizer que ela sempre me trazia uma paz muito grande... Mas acredito que seja tempo para que essa frustração não aconteça com outras pessoas.
DÊEM- FLORES EM VIDA.
Não esperam algum parente ficar doente, ou até mesmo falecer para dizer que ama, que perdoa, que sente falta.
A saudade vai ficar juntamente com as lembranças, com o amor. As lágrimas ora ou outra insistiram em rolar, mas a oração permanecerá sempre firme e confiante de que foi assim que o Pai quis.
Jamais te esquecerei vó.



Muito tempo já se foi
Pouco tempo se parece
Uma vida inteira já se foi
Mas às vezes a gente esquece

Num piscar de olhos
Tudo passa em nossas mentes
Alegrias, tristezas, derrotas
Mas sempre andando pra frente

Como uma folha cai
Somente se Deus quiser
Assim também já vai
Porque é assim que o Pai quer

E fica uma saudade
Nos restam as lembranças
Do tempo que aqui passou
E ficam os exemplos firmados na memória
O amor materno, "vóterno", eterno..


Despedida- Pimentas do Reino

domingo, 5 de setembro de 2010

Requentado? Nem o café!

Oi amigo...
O café está na mesa esperando para que quando você acorde sinta que de alguma forma a minha partida não foi uma daquelas em que as pessoas vão embora sem dar explicações. Isso é o que não me falta, explicações eu tenho para tudo, você conhece esse meu jeito de nunca deixar ninguém sem respostas, até mesmo quando deveria. O que me falta de verdade é coragem... coragem de olhar em seus olhos e admitir que não tenho mais motivos pra voltar pra você.
O tempo que passamos juntos foi muito bom, vivemos uma rotina e eu não me cansava disso, mas esse meu espírito aventureiro uma hora ou outra iria bater de frente com o seu comodismo... era só questão de tempo.
Não adianta continuar esse relacionamento porque já passamos tanto tempo juntos, ou porque temos uma aliança de compromisso no dedo. Isso não significa nada quando já não existe amor. E acredito que você me conhece o suficiente pra saber que meu medo não é da solidão, meu medo é de deixar a vida passar e com ela não realizar tudo o que meu coração anseia.
Destino? Acaso? Escolha no que acreditar e se for pra ficarmos juntos estarei de volta, para tomar o café com você, mesmo correndo o risco dele já estar frio. Não que eu goste de correr riscos, mas nesse caso é preferível ficar sem tomar do que ter que viver com a impressão de uma vida requentada.

" O fim, é belo, incerto, depende de como você vê"

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

As cicatrizes não doem


Sou adepta à frase de que o tempo pode nos ensinar muita coisa, mas jamais apagar. Atitudes, palavras, erros, todos podem ser perdoados, mas jamais esquecidos. Sempre deixam marquinhas, mesmo que pequenas. Mas elas sempre estarão lá.
Isso não é válido apenas para momentos ruins, cicatrizes também marcam bons tempos. Sabe aquela que tenho no joelho? Eu estava brincando de pega-pega na quarta série e cai. Todos meus amigos vieram me levantar, e é disso que me lembro quando olho para a minha marquinha. Que quando cai e as lágrimas queriam insistentemente rolar, eles estavam lá para me levantar.
Você foi a minha marca mais profunda, e mais confusa, pois já não sei deixou lembranças boas ou ruins. Ao mesmo tempo que estavamos juntos você se sentia sozinho, e eu tentei preencher cada espaço inutilmente. Esqueci até mesmo dos meus espaços vazios para suprir as suas necessidades. Abri mão de tanta coisa... e para quê? Dessa vez eu cai e não tinha ninguém em quem eu pudesse me apoiar para levantar, ou uma mão estendida. As pessoas apenas pareciam rir. Sim, aquelas mesmas pessoas que você tinha sentido tanta falta.
Parece que dessa vez eu ia ficar ali, estendida no chão. Sem vontade, sem sonhos, sem motivações. Dessa vez eu estava até mais madura do que na quarta série, mas as lágrimas rolaram e todos ainda me fitavam, agora com dó, mas jamais com algum tipo de ajuda. Uns apenas gritavam: " Levante-se desse chão, não deixe que outros zobem de você. Seja forte! " Mas de que adianta esforços sem estímulos?
E depois de muito chorar minhas lágrimas fizeram uma poça, e naquele amontoado de água salgada eu vi refletido o céu e me lembrei. Lembrei que alguém lá em cima esperava mais de mim, e mais do que esforço isso foi um estímulo que criei.
Me reergui, com uma certa arrogância por ter estado ali tanto tempo sem você pra olhar por mim. E cresci, cresci com uma vontade louca de nunca esquecer da criança que ainda vive em mim e não me deixa seguir em frente sem ter um sorriso nos lábios.
Muita coisa aconteceu nesse tempo, mais do que exterior, o que mudou de verdade foi aqui dentro. Um terremoto, que agora sim deixou tudo em seu devido lugar.
Você passou, e quem diria, mesmo com tudo aquilo que você queria, hoje você sente falta de mim. Falta do carinho, do amor que resolvi dedicar a quem mais precisasse.
Hoje é você quem está caído, e sim, posso abrir mão do meu orgulho e diferente dos outros posso te estender a mão, te reerguer, mas nunca sem esquecer que você passou e pra mim representa apena uma cicatriz. Nada mais. E diferente de feridas, cicatrizes já não causam o mínimo efeito de dor; só nos fazem recordar do que aconteceu, e imaginar o que poderia ter sido diferente. Cicatrizes não falam, mas mostram. Cicatrizes já não me fazem mais chorar.


"Lembra quando éramos nós contra o mundo? Se lembra?"

Indenso ( Você )

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Máscaras perdidas

Foram tantas máscaras usadas nesse meio tempo. Máscaras que esconderam sentimentos, gritos sufocados. Por trás das maquiagens escondia meu rosto de choro; por trás de risos descontrolados oprimia uma tristeza profunda; e por trás de todas as minhas falsas verdades me escondia de rosto lavado, para que apenas eu pudesse me ver assim.
Mas o que eu temia aconteceu. Parece que as máscaras já não saem, e mesmo sabendo que esta que se apresenta à frente de todos não sou eu, já não consigo mais me ver como sou, a minha verdade se perdeu diante de tantas mentiras.
Agora não são mais as risadas que estão descontroladas, agora sei que quem grita é meu coração, e ninguém o escuta.
Socorro, socorro! Me perdi de mim! Por favor, alguém poderia fazer algo para que eu possa me achar? Preciso da minha essência, preciso me ver de cara lavada e não ter vergonha de me mostrar assim, cheia de cicatrizes e feridas que parecem não parar de sangrar. Sou como a criança que se perdeu no shopping e não encontra a mãe, mas a diferença é que ninguém nota o meu choro de desespero.
Me apeguei demais à idéia de que todos deveriam gostar de mim, e sendo assim não poderia ser como eu era, mas a fatal realidade é que com esse vazio já não consigo ser verdade...e nem mentira. Sou apenas alguém que precisa ser encontrada, um vazio que precisa ser preenchido de tudo aquilo que outrora eu ignorei.
Socorro, socorro! Alguém já se sentiu assim? Amigos dos velhos tempos, por quê nem vocês notam o quanto eu estou ausente de mim? Por que todas as promessas parecem estar sendo quebradas, e todos os sonhos desfeitos?
Já não sou aquela que quer salvar o mundo, já que eu mesma pareço não ter salvação. Estou afundando, e mesmo que eu corra o risco de afogar vou até onde for preciso porque não dá para ser outra pessoa, não dá para criar uma outra vida, muito menos nascer de novo... Vou afundando, e dessa vez não insistam vou sem aparelho de mergulho, correndo todos os riscos atrás de alguém que tem valor, alguém que faz toda diferença na minha vida e na vida dos que estão a minha volta.
Adeus, vou em busca de mim.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Migalhas rejeitadas


Já lavei suas roupas, elas estão perfumadas.
Junto com a sujeira, deixei escorrer cano abaixo toda mágoa que um dia tive pelo seu desprezo, todas ironias, discussões, intrigas... Todos os piores pensamentos possíveis.
Deixei com o perfume todas as boas lembranças, todo amor e carinho depositado, e até mesmo os nossos sonhos que nunca foram realizados, não por incapacidade e sim por sua falta de vontade.
Enquanto lavava lembrei de como a gente se olhou pela primeira vez, tão inocentes como são todos os adolescentes, porque mesmo com aquele ar de que sabem tudo sobre a vida lhes falta experiência, e sem esta não prevemos reações e atitudes.
Eu cresci e deixei para trás a garota do olhar perdido dentro dos seus olhos, isso porque eles já não olhavam mais para os meus. Cresci, busquei novos olhares e os encontrei, mas nenhum que me prendesse por mais de alguns segundos.
Algum tempo mais tarde lá estava você, na minha frente, olhando nos meus olhos e me fazendo acreditar novamente em uma aventura que não tinha dado em nada. Mas dessa vez você olhou como nunca, e pela primeira ou segunda vez na vida eu senti o amor.
Mas cá estou, pela segunda e última vez sem você, que novamente teve a necessidade de procurar e se lançar sobre novos olhares, despertando quem sabe paixões por onde passa.
Já lavei suas roupas, e perfumadas estão dentro de uma mala. Que elas possam ir sem meus cansativos discursos para algum lugar que sofra de tanta carência que se conforme com suas migalhas. Ou que em um outro alguém elas deixem de ser migalhas e tornem-se um todo... algo completo. E quem sabe assim, em um futuro não muito distante, fora do seu alcance eu encontre uma alma perdida que assim como a minha tenha essa necessidade de ser uma só, longe de restos e ilusões, e cheia de tudo isso que o mundo se nega a conhecer e compartilhar.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Doar-se



Sentada na calçada, ainda menina - apesar do rosto demarcar mais idade.
A vida não parecia ser muito justa com aquela pequena que sempre sentiu falta de... Falta de um irmão que lhe defendesse dos maiores; falta de uma refeição; falta de um lugar seguro...
Mas hoje já não fazia tanto frio, ela já não sentia tanta fome. A vida nas ruas a ensinou a lidar com todas as faltas e apesar da pouca idade a conhecer os tipos humanos. E mesmo sem nenhum conhecimento em psicologia ela percebia que mesmo as pessoas que passavam de um lado para outro e nem a notavam, traziam uma angústia no olhar. E mesmo não entendendo de matemática ela sabia que muitas vezes quem muito tem não divide e quem pouco parece ter tem a capacidade de doar. E mesmo não conhecendo os mistérios do Universo ela aprendeu que o céu é cheio de beleza e pode até mesmo fazer toda a diferença em uma noite triste. E mesmo não sabendo ler dedicava algum tempo do seu dia olhando as capas das revistas na banca em frente à padaria.
Já não existe medo, nem mesmo choro por não conhecer ninguém nas ruas. Adaptar-se não foi uma tarefa fácil, mas lá estava, sentada na calçada, com olhar fixo a lugar nenhum.
Não se importava de ter a comia quente do restaurante, nem mesmo o brinquedo iluminado da vitrine. Nada disso causa tanto vazio quanto a falta de amor, de um afago, um beijo de boa noite... nem que fosse só por uma noite.
Olha de um lado a outro. Já é tarde. As ruas estão vazias, muitos já dormem. Levanta-se apressada, com uma expressão de preocupação. Corre, corre... O que causaria tanta pressa se ninguém a espera? O que a faria se desesperar se não haverá ninguém a se preocupar se ela está tarde nas ruas?
Olha para um canto da praça central, e lá estava ele, seu cachorro companheiro.
Porque mesmo sem receber, ela sabia que tinha muito a oferecer.

" Não hesite em doar-se, pois o mundo só necessita do olhar atento do amor"

Inspiração: Livro " Capitães da areia " ; trabalhos voluntários